terça-feira, 23 de setembro de 2008

Bin Laden: O poeta da guerra

Foram descobertas por um professor norte-americano, gravações em cassete de Osama Bin Laden recitando poemas próprios durante festas no Afeganistão. Flag Miller, o professor em questão, pretende publicar os texto e disse que Bin Laden costuma usar montanhas como metáforas e que é um poeta bastante habilidoso.

Eu não tenho a menor dúvida.

17 comentários:

Gabriel disse...

1) Matar e morrer não é poesia, porque está fora da linguagem.
2) Na hora que você cai nesse maniqueísmo de que os EUA são o Mal e quem atacar eles vai ser o Bem, você volta automaticamente ao tempo dos homo habilis, a época em que o homem descobriu que tinha um dedão e que apontar pra cima queria dizer 'legal' e pra baixo 'ruim'. Isso não serve pra nada...o maniqueísmo é sempre um termômetro de quão fora da realidade se está (o que não equivale a dizer que se deve passar a mão na cabeça de todo mundo, nem que se deve buscar um relativismo absoluto).
3) É puro mal gosto mesmo falar que o atentado foi um ato de poesia, mesmo pelos padrões do Hakim Bey (http://pt.wikipedia.org/wiki/Hakim_Bey) de terrorismo poético.
4) Coloquei mais um número só pra você perceber quantas razões existem contra esse tipo de afirmação.
5) Agora, as fitas que o Bin Laden fez declamando poesia, isso sim: isso pode ser chamado de terrorismo.

Cris Chevriet disse...

Concordo, Gabriel !

Remo Trajano disse...

Okay. Foi de mal gosto.

Gabriel disse...

ha!

Remo Trajano disse...

Prometo da próxima vez escrever um post em homenagem às vítimas do ataque terrorista ou ato revolucionário, escolham.
Retiro o que disse, admiti que foi de mal gosto e aí sim me senti maniqueísta.

Esclarecimentos:

Bem x Mal - Não coloquei a questão de forma maniqueísta, não tomei nenhum dos lados, apenas afirmei que enxergo poesia no ataque às torres gêmeas. Porém, o tal maniqueísmo que vocês me acusam, eu consigo vislumbrar na crítica de vocês. Se eu escrevesse um texto condenando o ato do poeta bin laden, aposto que ninguém comentaria nada a respeito. Mas como comentei pelo suposto lado do 'mal'...

Poesia - Considero o ataque de 11 de setembro uma metáfora aterrorizantemente bela. Foi concretizado o sentimento de milhões de pessoas, da forma que foi, radical, com o pé na realidade não concordo, mas quando tiro, e quero tirar para falar sobre, acho belo.

João Magalhães disse...

Devem ser todos dedicados a seu amigo Bush.

Gabriel disse...

Maluco...

"Bin Laden costuma usar montanhas como metáforas e que é um poeta bastante habilidoso.

Eu não tenho a menor dúvida."

Seguido da foto do WTC.

Se isso não é tomar lados, meu cachorro faz xixi em outra dimensão.

Cara, uma coisa ser bonita não faz dela poesia. Além do que, se requer uma vontade muito forte de fazer um comentário anti-americano para sustentar a idéia de que existe poesia em ver 3000 pessoas morrerem do jeito estúpido e idiota que foi o tal atentado.

Esse papo retórico de ver a beleza nas coisas dificeis e ruins é uma ideologia barata e...americana, quem diria.

E não adianta chamar quem te acusou de maniqueísta (eu) de maniqueísta, porque você mesmo sabe que você não vai encontrar uma linha no meu primeiro post dizendo que há qualquer sentido no ataque de 11 de setembro, nem para os americanos nem para ninguém. Quanto mais se afirma essa oposição e esse ódio aos americanos, mais importantes eles ficam.

Ah, essa coisa de se ter concretizado o sentimento de milhões de pessoas: Se alguém de fato tinha esse sentimento e ele foi concretizado, eu sugiro que essa pessoa reveja seus conceitos e quem sabe se entregue ou para a polícia ou para a escola primária.

Se você precisa que os seus competidores morram pra que uma forma alternativa de governo e de economia tenha chance, talvez essa forma alternativa não seja nada demais. Vide o nazismo.

Belo - quem acompanha os jornais, como vc, sabe o que é: é um imbecil, brega, traficante, que escapa das prisões por ter poder. Esse é o belo do qual você tá falando, tigrão.

Cris Chevriet disse...

Remo, a minha concordância não tem nada pessoal, nem me passou pela cabeça que vc estivesse tomando partido, ou sendo maniqueista. Entendi como pura ironia.Quanto ao Bin Laden ser ou não um bom poeta, tb não vejo correlação com caráter ou sanidade, devemos sim nos perguntar se o Flag Miller está apto para emitir tal opinião pois independente de conceitos acadêmicos usar montanhas como metáfora é muito "last summer". devo ainda acrescentar que alguns poetas renomados se criaram tirando leite de pedra pois, na minha leiga opinião, a verdadeira poesia traz em essência, e como gênero, a raiz da subjetividade que fica a cargo do leitor. Montanha como figura poética se relaciona com a mediocridade do extermínio, está ligada à crença grotesca e revanchista da destruição que se iguala, e se rebaixa, ao que se quis destruir sem acrescentar nada de novo. É a baixa antropofagia. Pura e simples.
Sem nenhuma censura, achei o post interessante.

Gabriel disse...

eu sou a favor da censura sim.
tanto do post do remo quanto da cris chevriet ficando em cima do muro com essa justificativa bastante areada.

Cris Chevriet disse...

hahahahahaahha...

1.O post não foi manequeista

2.Censura jamais sob NENHUMA
JUSTIFICATIVA

3."Areada" gostei muito, palavra boa!!!

4.Confusa às vezes, em cima do muro, NUNCA, não tenho nem mais idade prá perder tempo, aprendi que não vale a pena.

Então vejamos:

5."Matar e morrer não é poesia, porque está fora da linguagem."

-Discordo. Em tudo há poesia, mesmo nas coisas feias e degradantes, nesta hora então nem se fala, em "matar e morrer" é onde tem mais...a poesia é a unica coisa que deixa a nossa vida e à nós suportáveis.

6."É puro mal gosto mesmo falar que o atentado foi um ato de poesia, mesmo pelos padrões do(...)"

Gabriel, entendi o post de outro modo, diferente do seu. Quando se fala do "Poeta Bin Laden" isto não quer dizer enxergar o ato criminoso como poético...o "Poeta da Guerra" não me pareceu maniqueista, neste aspecto encontrei ironia, da parte do autor.

Concordei com sua opinião, em relação ao maniqueismo como estilo de vida, e certas posturas das pessoas, que tomam posições extremadas e não conseguem transitar fora do que é binário. No entanto, não senti em nenhum momento, que essa fosse a idéia do Remo.

4.Achei criativo sim o post,criativo e corajoso,e é isto que espero do bom jornalista, o olhar apurado, espirituoso, e alerta à várias perspectivas. Quando fala do terrorista e do poeta, mostra uma outra faceta do Bin Laden, - sem julgamentos maniqueistas - esta figura metida a inteligente e líder, mas que só conhece a ignorância e se iguala aos inimigos conseguindo ser pior que eles sem buscar nenhuma alternativa de transformação.

5.Concordo tb com vc sobre:
(...) as fitas que o Bin Laden fez declamando poesia, isso sim: isso pode ser chamado de terrorismo.

Ótima a sua sacada!
Talvez eu não tenha sido muito explicita no meu primeiro comentario o que suscitou essa historia de "areada". O que gostei tb, achei até elogioso...palavra boa.

6. Por fim , sou réu confesso, fã do garoto descabelado, Remo.

Beijo prá vc, Gabriel!!!

Gabriel disse...

cris, o seu último comentário foi ele mesmo prova de que a censura tem de ter lugar no mundo. talvez não nas instituições, mas na cabeça de quem pensa antes de escrever.

a sua simpatia é demais, um beijo pra você também, mas você ser fã do garoto descabelado não muda em absolutamente nada o fato de que o post é sim besta, preso em questões ideológicas estúpidas (toda essa coisa anti-americana que dá espaço não só para se tratar um assunto delicado como a morte de 3000 pessoas como 'poesia', mas também dá espaço para alguém responder ao post como se isso fosse corajoso e cheio de sentido. não é. é covarde e mal informado.).

não sei quantos anos você tem, mas você fala e escreve como se tivesse a minha idade ou a do remo, é a única forma de justificar o seu comentário "4", em que fala que o remo expõe idéias de forma 'espirituosa', como um bom jornalista deve fazer. se você não enxerga nada de errado com o post dele, talvez de fato isso tudo seja um momento 'espirituoso' em que o melhor era aproveitar a poesia e curtir a vida.

ah, e se você é fã do remo, não devia poupar críticas a ele, que certamente saberia lidar com elas e não precisa da proteção maternal de ninguém, né!

não vou comentar a sua argumentação sobre o 'matar e morrer', porque eu não falei que o que é degradante está fora da linguagem, mas a morte.

e quem se protege da falta de sentido, da estupidez e do vazio que é a morte, seja com a idéia do Útil ou do Belo, só põe lenha nessa ideologia barata e covarde que sustenta as reações infantis, "multiculturais" e anti-americanas que ajudam a manter o mundo exatamente como é.

é melhor respeitar os mortos do que chamar a morte de poesia.

areado é uma palavra que eu aprendi com o suflair, aquele chocolate.

bjo!

Cris Chevriet disse...

Ah,tá...acho que a gente vê diferente, não os fatos, mas a maneira de processá-los, sou uma pessoa extremamente critica, mas o que o que nos difere talvez seja a abordagem. Respeito a morte de 3.000 pessoas. A questão é o que post não me ofendeu, muito pelo contrário, acho que ele foi critico em relação ao terrorismo e espirituoso porque confrontou o terrorista, como já disse antes, com irônia, não fez graça com os estragos ou com o sofrimento humano, muito pelo contrario, colocou mais uma vez na berlinda esta figura incompreensível que acha que pode se impor matando.Quando li o post vi tudo isso. Mas talvez nem seja o que ele quis dizer, o que absorvi foi isso. Não me causou o sentimento de falta de respeito ou anuencia ao atentado, como em você,mas de reflexão sobre a tragêdia, reflexão sobre o homem que provocou isso.

Quanto ao fato de ser fã do Remo, isso não me faz mãe dele em absoluto, e até que poderia pela minha idade rs. Seria uma mãe muito orgulhosa - diga-se de passagem...pois acho ele um cara inteligente, articulado e respeitoso sempre, como deve ser o bom filho, as pessoas de bem. E respeito fica do lado oposto ao da concordância. Esse negócio de proteção desprotege mesmo, e óbvio que nínguem precisa ser protegido, esse conceito sim é equivocado. Mas admirar não me tira a razão, busco apenas outros caminhos, sem acidez, até mesmo com os meninos aqui de casa.Tanto a crítica que se sustenta na aspereza quanto o elogio feito de adulação são intragáveis e facilmente percebidos na falta de verdade, mesmo quando feitas pelas mães.
De modo que respeito muito sua opinião e penso que temos pontos em comum que se desenvolvem sob o ponto de vista de personalidades e emoção distintas. Mas esta é a graça da vida, né?
A poesia, já escrevi antes não é prá qualquer um, de longe é ferramenta que sirva ao futil ou ao fugitivo da realidade que curte a vida por aí.
Quando vc diz que é melhor respeitar a morte do que chamar os mortos de poesia, eu não vi isso em meu comentario e nem no post.
A Poesia é uma forma de encarar o mundo e ninguem ensina, ninguem aprende, a gente sente ou não, a gente enxerga ou não. O sentimento e os olhos do poeta alcançam onde ninguem mais chega.
Quanto ao areado do chocolate, ou da culinária - tecnica dificil de realizar - continuo gostando muito!Foi excelente lembrança.
Agora areada,eu,a palavra, adorei, areada.Valeu!
É bom conversar com vocês, beijo grande!!!

Gabriel disse...

Cris, acho que você não percebe que da sua postura dá pra depreender o tipo de desculpa que justifica

a)não fazer nada de útil e político (afinal, é tudo uma questão de ponto de vista, de emoções distintas - e ser irônico não é necessariamente uma forma de criticar: pelo contrário, na ironia vc brinca com uma coisa como se ela não fosse séria, com um distanciamento que possibilita que você não seja necessariamente tachado de grosseiro ou covarde. a irônia, num país como o nosso, é um luxo que eu não sei se a gente pode se dar assim com tanta 'espirituosidade')

b) justificar gente que escreve mal (afinal, cada um absorve como quer o texto, sem compromisso com o que está de fato escrito)

c) "De modo que respeito muito sua opinião e penso que temos pontos em comum que se desenvolvem sob o ponto de vista de personalidades e emoção distintas. Mas esta é a graça da vida, né?"

Não, essa certamente não é a graça da vida. Quanto mais você fala de poesia, mais parece que você usa o termo como um joie de vivre generalizado e não como um genero literário específico e trabalhoso. eu acho que o nome de poesia se encaixa melhor no segundo, o primeiro o freud chamava de 'sentimento oceânico", e, sinceramente, não serve pra mta coisa.

Cris Chevriet disse...

Bem, toda criação artística / e ou literária,atinge alguém de alguma maneira, toma formas imprevistas pelo autor, como disse Quintana: existe o que a gente pensa em escrever, o que a gente escreve, e por fim o que o leitor lê e entende". É quando o autor não tem mais domínio. A graça da vida, antes de ser uma frase leve, traz essa complexidade, a vida é a diversidade de opiniões e sentimentos e questões íntimas que se misturam com os acontecimentos, com a política, com toda a teia social que nos envolve. O que me importa é o que faço deste produto final, e o quanto ainda me reconheço nele. De que maneira ele me modifica, acrescenta, me motiva ou dizima, me embrutece, me transforma...a vida é uma coisa dificil, até Jesus declarou: eu não sou deste mundo!
Sob a questão da qualidade do que se escreve tenho a dizer que o texto ruim não evoca nada, não pertuba, não causa nenhum movimento, esta é minha opinião.
Quando você fala de texto ruim não sei se está conceituando a posição do autor ou seu talento, de posições tomadas.
Quanto à poesia, para mim, é o genero literário mais trabalhoso e que requer talento sobre humano. Já escrevi em vários textos, que naturalmente você desconhece, onde comento sobre os "falsos poetas". Por outro lado, tenho um modo de viver, que não sei se é join de vivre ou oceânico, é antes de tudo meu e, certamente, não deve ser útil no sentido mais "político" da palavra. Realmente raras vezes me lembro de seguir rebanhos ou me adequar à logica social, ou rebatê-la pelo exercício da vaidade. Mas tem sido um caminhar digno - e meu - em busca da profundidade, sempre, em todos os O que posso dizer, e talvez isso nem interesse, é que desejo a lógica do do que é humano. Tudo que é humano, mesmo o que me irrita, o que não compreendo, e o que me angustia, me interessa. O feio e o bonito, o ilógico também. A fraqueza e o incorreto me interessa mais do que perfeição. Sem anuêcias.É isso, eu sou assim.Quero só lhe dizer que todo debate é importante porque afinal, não existe uma única verdade se nos dispusemos a investigar.E estar aqui com vocês é uma parte da graça da vida que me engrandece,a graça que vejo na vida nunca é fútil e passageira,são impressões da novidade e do movimento, das descobertas e das possibilidade.
Eu sinto a vida assim: vivo e penso o mundo politico, os atos dos homens, mas de uma maneira muito particular tentando fazer valer no meu cotidiano esta minha visão "poética" que sempre me deixa na saia justa.rs
Transponho o aprendizado para o meu mundo de pessoa comum, que se relaciona, cria filhos, e estabele relacões, mas neste instante tento que sejam próprias e únicas.Tento não repetir modelos, de modo algum. Bem , me desculpa se saí muitíssimo do nosso debate, mas no fim das contas tudo envolve questões basicas do ser humano, mesmo um ato político como o do Bin Laden, e no fim eu me pergunto que tipo de pessoa quero ser com meus pares, no meu pequeno universo político.

Prazer falar contigo, este espaço, ao que me parece fica pequeno para tantas possibilidade tendo em vista que somos pessoas que temos em comum, você e eu, este modo de ser aguerrido. E isto não é um julgamento, apenas uma impressão.
Espero qualquer dia te encontrar pessoalmente e talvez a gente até descubra coisas em comum.
Abraço sincero,
Cris

Gabriel disse...

espero que, já que existe um livre mercado do sentido - como você colocou - que pelo menos você tenha entendido qual a relação entre o que você escreveu e o que eu critiquei.

quanto mais você explica a sua posição, mais palavras cuja semântica é vaga e "só sua" você usou.

a sua defesa sem objeto (pois, afinal, o que você defendeu? a 'poesia da vida'? a espirituosidade jornalistica do remo?) tem a mesma estrutura da resposta americana ao terrorismo: invade o iraque, ataca, fala pra caramba sobre armas nucleares e o que é importante de ser feito, mas mesmo assim todo mundo sabe que nem o Bin Laden, nem as armas de destruição em massa, estão lá.

Cris Chevriet disse...

é isso aí, agora vc disse tudo, tem razão! eu tb espero o mesmo de você! Ou para ser mais objetiva,ah, nem sei...bj!!!
Beijo e muito grata pela atenção, tentarei melhorar!

Gabriel disse...

ai ai ai...